Gestão e restauro do património do Museu de Electricidade

De Museu da Electricidade

Por Rosa Goy

A reformulação do conteúdo expositivo do Museu da Electricidade em 2001 com um novo projecto museológico veio reforçar uma das principais finalidades de um museu: a necessidade de preservar o património com interesse histórico e museológico.

Aspectos das reservas do Museu
Aspectos das reservas do Museu

A área de Gestão do Património não existiu como área autónoma no Museu da Electricidade até Junho de 1998. A criação desta área exigiu uma primeira aproximação às colecções que se iniciou reunindo o acervo que estava disperso por várias instalações da EDP.

Isto levou à necessidade de criar um espaço de Reservas do Museu com condições de armazenamento, onde as peças seleccionadas e tratadas pudessem ser organizadas, classificadas por colecções, fotografadas e inventariadas de modo a ficarem acessíveis e localizadas.

  • A primeira medida tomada (ano 2000) em sequência dessa necessidade foi adaptar a antiga oficina de serralharia da Central para espaço de Reservas.
  • A segunda, já em 2001, foi a criação de uma oficina de conservação e restauro onde se levasse a cabo a outra vertente do trabalho da área do património: a recuperação e preservação das peças do acervo, tanto das colecções como o equipamento pertencente à Central Tejo. Estas colecções comportam peças e equipamentos desde finais do século XIX até à actualidade, muito diversificadas, como por exemplo electrodomésticos, máquinas eléctricas, moldes de iluminação pública em madeira, equipamento de laboratórios, maquetas, etc., exigindo cuidados diferentes dependendo das suas características ou materiais.
  • A terceira necessidade foi a elaboração de uma aplicação informática para proceder à inventariação das colecções. Esta aplicação, realizada em colaboração com a IT-LOG, permite agora a consulta, a pesquisa e a visualização das peças pertencentes ao acervo tanto em formato de Ficha de inventário como em Livro de Registo.

Durante o decorrer das obras de beneficiação dos edifícios da Central Tejo (2001-2004), foi reforçado o trabalho de restauro dando-se prioridade à recuperação de peças e equipamentos que iriam estar expostos nos núcleos museológicos permanentes do Museu, e à beneficiação das máquinas e equipamentos pertencentes à Central.

A continuação deste “trabalho de bastidores” com a recuperação e a inventariação de outros equipamentos de igual valor museológico, é sem dúvida a base de futuras exposições temporárias a realizar pelo museu.

O destino imediato destas peças que ficam em depósito contribui para a ideia de que as Reservas do Museu da Electricidade possam ser visitadas por grupos especializados, como estudantes, técnicos do sector, investigadores, etc.

Durante este período de reformulação do Museu mantiveram-se as relações com o exterior a través de uma série de iniciativas:

  • Divulgação do acervo a través da cedência de peças para Exposições temporárias organizadas por outras entidades, como por exemplo: a Exposição “Engenho e Obra” que decorreu em 2002/2003 na Cordoaria Nacional, organizada pelo Instituto Superior Técnico; o Colóquio “Entre a formação e a acção. Os engenheiros no século XIX e principio do século XX” organizado pela Faculdade de Évora em Outubro de 2003; a Exposição “Vida fácil” que decorreu no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva entre Outubro de 2005 e Agosto de 2006; a exposição sobre Sustentabilidade inserida no “Projecto Ciência na cidade” promovido pela Universidade de Évora e co-financiado pelo Programa Ciência Viva, em Junho/Julho de 2007.
  • Estabeleceu-se contacto com outras entidades para reforçar o nosso espólio em certas áreas com maiores lacunas, como por exemplo experiências eléctricas de laboratório. Para este efeito foram contactadas diversas Escolas Secundárias técnicoprofissionais das quais se obtiveram, através de um Protocolo de cedência, aproximadamente 70 peças.
  • A equipe da Oficina de restauro contou com a colaboração de dois deficientes psíquicos na recuperação do espólio. Estes dois elementos estiveram dedicados à recuperação duma colecção de moldes de candeeiros de Iluminação Pública em madeira, procedentes da Central do Ouro (Porto).

Uma vontade do Museu da Electricidade é, tanto pelo grande interesse que tem para a História do sector eléctrico, como pelo seu valor patrimonial, ter um levantamento do equipamento existente nas diversas instalações da EDP de Norte a Sul do país.

A sua correcta preservação e conservação e a sua localização exacta, sempre que possível mantendo-as no local de origem, é muito importante, pois, além do valor histórico dos equipamentos no seu contexto, podem contribuir para ilustrar a evolução da empresa e da electricidade em Portugal em diversas exposições temporárias.