Central Tejo: Combustíveis

De Museu da Electricidade

Por Pires Barbosa

Os principais combustíveis utilizados nas caldeiras da Central Tejo foram o carvão (hulha) e a nafta.

Devido às necessidades que os países em guerra tinham do seu próprio carvão, foram durante as 1ª e 2ª Guerras Mundiais queimados como alternativa outros combustíveis tais como a lenha, o bagaço de azeitona, os resíduos da fábrica do gás, etc.

Tabela de conteúdo

O Carvão

O carvão era importado, já que os carvões nacionais tinham baixo poder calorífico, em média cerca de 5250 calorias; contudo, podiam ser queimados misturados com outros mais ricos.

Na utilização dos combustíveis na Central, consideram-se três épocas:

Antes da 2ª Guerra Mundial – Anterior a 1939

Nas caldeiras da Central queimava-se principalmente o carvão inglês de Cardiff, com um poder calorífico de 7250 cal conhecido no mercado como “steam coal” e na gíria dos fogueiros como “carvão gordo”.

A queima de carvão nacional era muito reduzida devido ao seu baixo poder calorífico, entre 5250 e 5500 cal., pelo que se utilizava misturado com o carvão inglês.

Durante a 2ª Guerra Mundial – 1939 – 45

Com a guerra, foram cancelados os contratos com os fornecedores de carvão Cardiff. Nos primeiros tempos, ainda se receberam outros carvões calibrados de origem inglesa, que não tendo as características do carvão gordo de Cardiff, eram no entanto uma base razoável para mistura com o carvão nacional das minas do Pejão. Entretanto, a qualidade dos carvões importados foi-se degradando duma forma progressiva, chegando o poder calorífico a atingir 40% do valor do carvão Cardiff.

Estes carvões eram misturados com Pejão. Todos eles, Pejão incluído, continham poeiras, que provocavam instabilidade na zona de combustão, além de abundante produção de não queimados.

A partir de 1943 predominaram no mercado Inglês os combustíveis de muito baixa qualidade, o que veio influenciar desfavoravelmente as condições de produção de energia na Central. Simultaneamente a utilização acentuada de carvões nacionais de baixo poder calorífico contribuía também para as dificuldades da produção.

Além dos combustíveis procedentes de Inglaterra, houve também a necessidade de a partir de 1944, se importar carvões americanos, indianos, sul-africanos e espanhóis. Os primeiros com custos de transporte muito elevados; o último com fraco poder calorífico.

Após a 2ª Guerra Mundial – 1945 –

No ano de 1945, começou a utilizar-se o fuelóleo com um poder calorífico de cerca de 9600 cal. A utilização deste combustível trouxe um grande alívio à exploração da Central.

É de salientar que durante o período crítico da guerra e do pós-guerra, se procurou utilizar ao máximo os recursos nacionais, tendo sido tentadas todas as possibilidades.

De entre os combustíveis nacionais utilizados, são de realçar em primeiro lugar as antracites do Pejão, que se misturavam facilmente com os carvões estrangeiros de alta percentagem de voláteis, seguindo-se as lenhas – 2630 cal –, quando fornecidas com baixo teor de humidade.

Nesta época, os grandes fornecedores de carvão foram a Inglaterra, os Estados Unidos da América e a Alemanha.

O carvão chegava por via marítima e era descarregado na ponte-cais.

Devido às condições de acostagem do pontão existente, na maioria dos casos tinha de ser feito um transbordo do navio transportador, inicialmente para “fragatas” e “varinos”, e mais tarde para batelões.

Os carvões nacionais eram transportados por via férrea e rodoviária, sendo a sua descarga efectuada directamente nos terrenos denominados de “praça do carvão” onde se situavam as pilhas, por meios manuais pelos denominados “trabalhadores da praça”, que tinham como tarefa a sua descarga, empilhamento e transporte para o circuito mecânico do carvão.

A Nafta

Como anteriormente referido, o aparecimento deste combustível teve a ver com as dificuldades na obtenção de combustíveis sólidos, pelo que é entre 1945 e 1946 que se procede à montagem de queimadores de nafta nas caldeiras de baixa pressão da Central.


Circuitos de alimentação de combustível às caldeiras

Carvão

O transporte do carvão para o circuito de alimentação das caldeiras era inicialmente feito por vagonetas a tracção humana, substituídas posteriormente por “dumpers”.

A operação de alimentação de carvão às caldeiras iniciava-se com a descarga deste no “crivo”, onde era quebrado por meios manuais, passando seguidamente ao “triturador” onde lhe era dado o tamanho conveniente. Depois, era elevado pela “nora elevatória” anterior para os “silos misturadores”, os quais armazenavam diferentes tipos de carvão que iriam possibilitar uma mistura, a mais equilibrada possível; desta mistura nem sempre bem conseguida, dependia a qualidade da combustão na caldeira.

Quem executava estas operações eram os denominados “trabalhadores da praça” que tinham ainda a seu cargo o manuseamento das cinzas, retirando-as dos cinzeiros das caldeiras e transportando-as para a “praça”, para depois serem levadas para o exterior da Central por empreiteiros credenciados.

Nafta

O armazenamento deste combustível era feito num reservatório com a capacidade de 200 m³, localizado no terraço do edifício onde se situa actualmente a sala dos auxiliares, para onde era bombeado a partir dos navios tanques.

Posteriormente, em 1948, as caldeiras de alta pressão começaram a ser também equipadas com queimadores de nafta e a capacidade de armazenamento tornou-se insuficiente. Assim, em 1949, procedeu-se à instalação de um novo reservatório com a capacidade de 8000 m³.

Diferentemente das outras, a caldeira nº 15 veio já equipada de fábrica com queimadores de nafta iguais às das suas antecessoras.

A introdução deste novo reservatório impôs modificações no circuito de alimentação da nafta, passando este a ser o de “armazenamento” e o anterior o “reservatório diário”.

Circuito da nafta

Do reservatório e caindo por gravidade, a nafta dava entrada no “Posto de Preparação de Combustível”, unidade dupla composta por: bomba alimentadora com válvula manual de regulação da pressão, filtro na aspiração e aquecedor de nafta a vapor a jusante, com filtro na saída.

Daqui, a nafta dirigia-se aos queimadores instalados na fachada da Caldeira, onde era pulverizada mecanicamente e injectada na fornalha, entrando em combustão.